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Como um copo de Cristal

FONTE DA IMAGEM:  We Heart It
Você pode ler esse texto ao som de Kings Of Leon - Use Somebody (Boyce Avenue feat. Hannah Trigwell acoustic cover)

Eu me sinto frágil moço... Muito frágil. Como um copo de cristal no cantinho de uma mesa qualquer, e até por um esbarrão despropositado pode ir ao chão e se quebrar por inteiro. O mais engraçado nisso é que eu sempre quis ser forte sabe? Sempre ter meu sorriso largo na cara, sempre saber decidir certo, aconselhar certo, viver certo. Ser impune à erros e à especulações de pessoas aleatórias, ou até mesmo das muito próximas à mim.
Ah moço! Não me olhe com a cara assim... Eu sei que é hipocrisia minha querer ser perfeita num mundo de imperfeições, mas mesmo assim eu decidi tentar. Deixei meu jeitinho complicado, confuso, incoerente e duvidoso de lado e fui viver. Acordava todos os dias enfiando o pensamento otimista na minha cabeça de que aquele poderia ser o dia em que a minha vida iria dar uma daquelas reviravoltas boas, mesmo que nada nunca mudava, mas eu persistia. Eu ignorava críticas e todo o resto que deveria me atingir, mesmo que me doía e causava mágoas, eu fingia que não. Eu tentava decidir e fazer sempre o melhor possível, mesmo que algum tempo depois eu acabava percebendo que eu não poderia ter feito escolha pior, mas eu seguia, com a intenção de mostrar que não me arrependi, por mais que fosse mentira. Eu queria mostrar força, sabe?...
Mas que sorriso abusado moço! É... Já imagino o porque. Você sabe como todo mundo que é meio irônico eu querer mostrar ter algo que não tenho. É tipo aqueles caras que não tem um centavo sequer no bolso mas juram de pé junto que têm uma bolada guardada no banco só pra tentar impressionar alguém. E justo com tanta coisa pra escolher para fingir que eu tenho, fui logo escolher a força... Fala sério! Por mais que seja uma história dolorida eu sou obrigada a rir da minha falta de noção com você moço. Pois é... Força... Força só se for a que eu tenho dos outros não é mesmo?! Porque todo mundo vê que eu ainda não aprendi a andar sozinha e vivo usando os outros de base pra me sustentar. Afinal, copo de cristal na beirada da mesa corre o risco de quebrar logo, não é? Apesar de tentar transparecer uma verdadeira ilusão sobre mim, estava dando certo, afinal.
Não moço, desmancha esse olhar sério por favor, que a tentativa de ilusão não era para o mundo, e sim para mim mesma. Desculpa, desculpa mesmo. Eu já aprendi na própria pele que quando a ilusão tem seu fim a dor de uma felicidade falsa pode acabar com os sentidos de qualquer pessoa,mas dói... DÓI MOÇO! Dói ser fraca, dói ser confusa e dói mais ainda só por saber que essa dor já deixou de ser fase pra se tornar estado fixo. Não moço, não vem tentar consolar minhas lágrimas e dizer que você vai me ajudar porque você não vai... Ninguém pode me ajudar, e os que tentaram se destruíram pouco à pouco junto comigo.
Você quer saber o final da história moço? Tem certeza disso? Pois bem, a verdade é que aos poucos eu fui cansando. Cansando de mim mesma, cansando do que eu sou e mais cansada ainda do que eu tentava ser. E aí fui desabando, aos poucos e gradativamente. É como se alguém tivesse derrubado o copo e eu estivesse em câmera lenta até chegar ao chão e me quebrar por inteira. Esse seu olhar... Nem preciso saber ler pensamentos pra entender o que se passa na sua mente agora moço. Vidro quebrado corta. E a dúvida é: quantos eu vou machucar quando eu chegar ao chão, adivinhei? Pois é... Choro todas as noites pensando nisso também.

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